A importância da nutrição na recuperação de pets internados

Veterinária alimentando um cão filhote no colo
Veterinária alimentando um cão filhote no colo

Descubra por que a nutrição na recuperação de pets ajuda o tutor a evitar diversos riscos, e conheça as opções para fornecer e indicar alimentos de maneira eficaz, da via oral à enteral. A saúde e o bem-estar do fiel companheiro dependem da nutrição adequada na jornada da recuperação. Saiba mais neste guia abrangente.

Dr.ª Letícia Warde Luis
Médica Veterinária, ex-residente de Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos pela UNESP/Jaboticabal. Mestre em Clínica Médica com ênfase em Nutrição de Cães e Gatos pela UNESP/Jaboticabal. Clínica na área de Nutrição de Cães e Gatos.
Dr.ª Monique Paludetti
Médica Veterinária, ex-residente de Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos pela UNESP/Jaboticabal. Clínica na área de Nutrição Clínica de Cães e Gatos.

De acordo com a WSAVA (World Small Animal Veterinary Association), a avaliação nutricional é considerada o quinto parâmetro vital, tão importante quanto a temperatura, pulso, respiração e dor do paciente.

Gato sendo examinado por médico-veterinário

Ou seja, a ênfase na avaliação nutricional é ainda mais importante em pacientes em estado crítico, pois muitas doenças podem levar à diminuição do apetite (hiporexia) ou à completa recusa de alimentos (anorexia), resultando na perda de peso e massa muscular, o que pode agravar o quadro do animal.

Assim, os principais objetivos da nutrição em pacientes críticos são:

  • Fornecer energia e nutrientes essenciais até que o pet recupere o apetite voluntariamente;
  • Corrigir ou prevenir deficiências nutricionais;
  • Minimizar problemas metabólicos causados pela doença ou pela falta de nutrientes;
  • Prevenir ou reduzir a perda de peso e massa magra;
  • Manter a saúde do intestino, uma vez que a falta de alimento pode causar atrofia das vilosidades intestinais e predispor à translocação bacteriana.

Estudos demonstram que quanto mais cedo fornecemos os nutrientes necessários, melhor e mais rápida é a recuperação do pet.

Por sua vez, um estudo de 2010 conduzido no Hospital Veterinário da Unesp de Jaboticabal revelou que o manejo alimentar adequado está diretamente relacionado a uma maior taxa de alta de cães e gatos internados.

Portanto, a nutrição na recuperação de pets é um aspecto crucial para a sua saúde e bem-estar.

O pet não quer comer: o que fazer?

Gato recusando comida

Quando um pet rejeita a comida é uma situação que pode gerar apreensão. Afinal, a nutrição desempenha um papel vital em sua saúde e bem-estar. Entender as razões por trás dessa recusa é crucial para abordar o problema de forma eficaz.

Entendendo a resistência à alimentação

Cachorro deitado ao lado de um pote com ração

Quando um pet demonstra resistência à alimentação, isso pode gerar preocupações legítimas.

Afinal, a nutrição desempenha um papel vital na recuperação de animais de estimação e no seu bem-estar. Compreender as razões subjacentes a essa recusa é de extrema importância para abordar o problema de forma eficaz.

Desta forma, o desafio de garantir a nutrição na recuperação de animais de estimação é um aspecto fundamental do cuidado com a saúde e o bem-estar desses companheiros leais.

Opções para fornecer alimentos aos animais de estimação

Dois potes com ração. Um com alimento seco e o outro com alimento úmido

A via de escolha deve sempre ser a mais simples e eficiente, sendo assim, sempre que possível, deve-se utilizar alimentação voluntária por via oral.

Por isso, como forma de estimular o apetite do paciente, alterações em textura, sabor e temperatura dos alimentos podem torná-lo mais atrativo.

Em consequência, pode-se adicionar palatabilizantes ao alimento que o animal já consome, utilizando, por exemplo, alimentos úmidos em patê ou sachê, e aquecer ou umedecer o alimento.

Gato comendo alimento úmido

Além disso, orexígenos também podem ser utilizados como forma de estimular o animal a se alimentar via oral, sendo os mais utilizados na medicina veterinária ciproheptadina e mirtazapina.

Forçar a alimentação via seringa na boca do animal é desaconselhado, pois pode aumentar a aversão ao alimento e causar riscos de falsa via e pneumonia por aspiração, piorando o estado do paciente.

Por isso, aqui estão algumas recomendações sobre alimentação enteral:

  • Quando um paciente apresenta hiporexia ou anorexia por mais de 3 dias, recomenda-se alimentação enteral;
  • As sondas via nasoesofágica ou nasogástrica são as mais utilizadas na internação, pois são práticas, indolores e não requerem anestesia;
  • Essas sondas permitem a administração segura da quantidade correta de alimento, mas são indicadas para situações em que se espera que o paciente retome a alimentação voluntária em breve;
  • Outras vias enterais incluem a colocação de tubos diretamente no esôfago, estômago ou intestino, nas quais há a necessidade de anestesiar o paciente para sua colocação, porém essas sondas podem ser mantidas por longos períodos.

Já na nutrição parenteral os nutrientes são fornecidos diretamente pela via intravenosa a partir de uma solução de glicose, lipídeos e aminoácidos que deve ser formulada por um médico veterinário nutrólogo de acordo com o perfil do paciente.

Então, por ser um procedimento de custo mais elevado comparado aos anteriores não é utilizado rotineiramente.

Síndrome de realimentação em pacientes: precauções necessárias

A síndrome de realimentação ocorre em pacientes que estão em um quadro de anorexia prolongada e recebem grandes quantidades de alimento subitamente, podendo resultar em hipocalemia, hipofosfatemia e outros desequilíbrios hidroeletrolíticos.

A partir disso, os sinais clínicos são variáveis e incluem alterações neurológicas, musculares, cardíacas, insuficiência respiratória e coma, podendo evoluir a óbito.

Para evitar que ocorra, a alimentação destes pacientes deve ser realizada de forma gradual, aumentando progressivamente a quantidade de alimento por dia até atingir a necessidade energética total diária.

Nutrição na recuperação de pets: alimentos para pacientes críticos

Cachorro sendo alimentado

No paciente crítico, salvo em doenças crônicas que demandam perfis nutricionais específicos, prioriza-se alimentos com maior teor de proteína.

Além disso, que sejam utilizadas fontes de proteína de alta digestibilidade, já que os aminoácidos passam a ser importante fonte de energia, além de promover manutenção da massa magra.

Assim, é importante entender que os alimentos também devem conter alto nível de extrato etéreo (gordura), que possui 2,25x mais energia do que carboidrato e proteína, o que, consequentemente, aumenta a densidade calórica da dieta.

Desta forma, um alimento mais calórico por sua vez, permite que um menor volume seja necessário para suprir a demanda energética do paciente.

Boas opções de alimento para pacientes críticos são os enlatados hipercalóricos ou a ração Premier Nutrição Clínica Gastrointestinal.

Orientações de nutrição para pets em casa

Quando um paciente recebe alta, os cuidados essenciais continuam em casa.

Por isso, é fundamental que os tutores sejam orientados por médico-veterinário para garantir uma recuperação bem-sucedida.

No entanto, a nutrição desempenha um papel crucial nesse processo. A seguir, estão as principais orientações para a alimentação adequada de animais de estimação em casa:

  • Administração correta de medicamentos prescritos;
  • Acompanhamento dos devidos cuidados pós-tratamento;
  • Planejamento alimentar sob orientação de médicos veterinários nutrólogos;
  • Alternativas para pets com apetite diminuído ou seletivo;
  • O lema: “comer para melhorar” é fundamental na recuperação do animal.

Conclusão

A avaliação nutricional é considerada tão vital quanto os tradicionais parâmetros médicos, e é particularmente crucial em pacientes em estado crítico.

Por isso, a nutrição adequada ajuda a fornecer energia e nutrientes essenciais, evitando deficiências, minimizando problemas metabólicos e mantendo a saúde do intestino.

Desta forma, estudos destacam que fornecer nutrição rapidamente pode acelerar a recuperação. Além disso, estratégias para estimular o apetite, como alterações na textura e no sabor dos alimentos, podem ser eficazes.

É importante entender a síndrome de realimentação e garantir uma transição gradual na alimentação de pacientes anoréxicos.

Quando os cuidados se estendem para casa, a orientação do médico veterinário continua sendo essencial, enfatizando o lema: “comer para melhorar.”

Portanto, a nutrição na recuperação de pets é um aspecto crítico para garantir a saúde e o bem-estar desses companheiros fiéis.

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